Junior Moraes

O convidado de hoje é o baterista e percussionista JUNIOR MORAES.

SOMUSICA: 
Diga um pouco sobre o começo de tudo, como foram os primeiros contatos com os instrumentos...

JUNIOR MORAES: 
Tudo começou com uma grande explosão!
Hehe, brincadeira...
Aliás, tenho que tomar cuidado com as brincadeiras, pois, sendo entrevistado depois do Iuri, não vou conseguir ser tão engraçado...
Sempre ouvi muita música em casa, desde muito pequeno. Meu pai, minha mãe, meus primos, com os quais vivia em rodas de violão, tinham gostos diversos e, por sorte, muito bons.
Aos 14, eu e um grande amigo decidimos “montar uma banda”! Corri atrás, comprei minha primeira bateria, de eucatex, afinava com chave de boca, horrível, (risos) e comecei a perseguir, e depois a acompanhar, meus discos favoritos.
No ano seguinte, já tinha a minha primeira banda, com aquele meu amigo no baixo, e frequentava as aulas de bateria, percepção e teoria musical no extinto conservatório ARS Nova, em Niterói. Aos 15 já tocava na noite de São Gonçalo e Niterói com minha banda cover de Beatles e com artistas dos bares!
Mais tarde, descobri a percussão e me apaixonei de novo, não são volúvel, sou curioso. Mergulhei de cabeça, a ponto de não tocar mais bateria por anos, fui estudar com o mestre e amigo João Ayres, participei de clínicas com monstros como Luiz Conte, Wickle Garcia, Dinho Gonçalves e Bobby Sanabria.
Caí no baile, a melhor das escolas, (risos) e atuei profissionalmente por anos como percussionista, até que de uns 7 ou 8 anos pra cá, retornei às origens, me dedicando a bateria.

SM: 
Ah! Os bailes da vida... Quantas histórias...
Fala pra gente dos estilos e ritmos que você mais gosta de tocar, juntamente com as suas influências musicais.

JM:
Cara, eu gosto de tocar! Desde que a música seja boa... Mas, talvez, onde eu me sinta mais em casa, seja no Rock. Ouço de tudo, tudo mesmo, mas sou roqueiro de coração, (risos).
Minhas influências são uma miscelânea muito doida!
Como disse, ouço de tudo, então tenho épocas e momentos que um determinado artista ou disco me encanta e inspira. É claro que tenho referências eternas: Beatles, Queen, Elis, Jackson do Pandeiro... e tenho meus instrumentistas preferidos. Vários músicos fazem, realmente, minha cabeça e minha lista não para de crescer. Toda semana elejo o meu “disco dos Beatles favorito da semana”. Meu iPod vive em shuffle, (risos). Sou muito curioso e inquieto musicalmente.

SM:
É como eu digo, "Ouve-se música boa, toca-se boa música..."
E quanto a prática do endorse? Qual o peso que isso tem sobre a carreira do músico?


JM:
Acho o patrocínio saudável e importante, mas não pode ser um objetivo do músico. A música é o objetivo!
Preparei, há um tempo, um Workshop sobre marketing pessoal pra músicos e, na apresentação, eu dizia que o músico não pode mais ficar em casa, sentadão no sofá, esperando o telefone tocar. O mercado é feroz!! Temos que sobressair com nossa música e com uma postura empreendedora. Temos que ser destaques se quisermos sobreviver da arte.
A parceria com uma empresa é uma forma de reconhecimento de um bom trabalho. Hoje, você não precisa estar no Top 10 pra conseguir um endorsee. Você precisa fazer a diferença, seja na forma de tocar, em sua região, com sua posição no meio. As empresas entenderam que “representantes regionais” vendem tão quanto, ou até mais, que um músico que está na mídia.
Mas o músico tem que entender que um patrocínio requer troca, então ele tem que ter algo pra trocar, certo? Tem que ser uma peça fundamental pra atividade na sua região, ser respeitado, formador de opinião... e, acima de tudo, ético, leal e comprometido com a marca que vai carregar. Não se pode olhar para propostas e oportunidades de patrocínio como um leilão, não vale o “quem dá mais”. É como amizade, casamento; você só se relaciona com quem realmente gosta, certo?
Tenho o prazer e orgulho de contar com parceiros de longa data, como a PowerClick e a Orion, que me apóiam, incondicionalmente, em todos os projetos que estou envolvido. Através do Maurício Leite, tive um suporte muito bacana das baterias e peles RMV. Fui patrocinado pela Spanking por 4 anos, meu primeiro patrocínio oficial, e agora, realizei um sonho de ver uma idéia minha ganhar vida: a JM Cajon lançara em setembro um modelo de cajon que eu desenvolvi para bateristas. Será meu modelo de assinatura, inédito, e já conta com a aprovação do gigante Cláudio Infante, novo endorsee da JM, JM não é de Junior Moraes, e sim de José Maria, muita gente confundi, (risos), que usará meu modelo nos shows do Jorge Vercilo e da Taryn Szpilman. Aliás, conto contigo pra me ajudar a divulgar essa aventura!

SM:
Opa, temos que parar aqui novamente para realizarmos uma materia detalhando o seu cajon, que tenho certeza de que está da pesada.
Como não poderia faltar, fale-nos um pouco do seu setup, e quando digo "um pouco", quero dizer nos mínimos detalhes. (risos)

JM:
(risos) De bateria ou de percussão? Dos dois? Lá vai...
Vou começar pela percussão, assustando algumas pessoas, já que tenho lotado minha agenda com shows no circuito sertanejo universitário do Rio, tocando percussão.
Meu setup de “guerrilha” consiste, basicamente em
Timbales Raul (Bauer) de 13” e 14”;
Carrilhão, pandeirolas, Jam blocks, cowbells, shakers, afuché, claves e outros pequenos efeitos, todos da Meinl e LP;
Mini China 11” Revolution Pro, Splashs de 6” e 10” SoloPro Master e Chinas 17” e 20” Exótica, todos Orion;
SPD-S Roland Sampling Pad (maravilhoso!! Onde pus todos os meus sons de timbal, surdo e partes específicas de músicas dos artistas com quem trabalho);
HPD-15 Handsonic Roland (não sei como vivi tanto tempo sem ele!! Sem dúvida, o melhor investimento que fiz nos últimos tempos, hehe. Tá tudo lá: congas, bongô, pandeiro, djembe, moringa, derbak... Pensa num tambor que tem! E o som?? Muito bom!).
Além disso, pros trabalhos mais específicos, levo sempre um cajon JM modelo Turbinado, pandeiros de couro e nylon, mesa de percussão LP, entre outros brinquedos.

Sobre a bateria, aí complica... já que meu setup muda de acordo com o trabalho do artista.
Bateria RMV Concept (em bapeva, com aros internos de reforço)
Tons de 08”, 10” e 12”
Surdos de 14” e 16”
Bumbo de 22” x 18”
Caixas de 14” x 5,5” e 12” x 5”
Pratos Orion. Os que mais tenho usados, são:
Hihats 13” DarkBass e 15” Personalidade (antigo Bacalhau)
Rides 20” Velvet e 21” Impact, série Unique
Crash 17” Personalidade (antigo Bacalhau)
Crashs Thin 17” e 18” Revolution Pro
Crash Rock 19” Strondo
Splashs 6”, 8” e 10” SoloPro Master e 10” Maistream
Chinas 17” Moon e 20” Sun, série Exótica
Hardware RMV HardTech;
Banco Gibraltar c/ encosto;
Pedal duplo (uma frustração... não sei usar pedal duplo) (risos) DW5002
O que é comum nas duas situações, bateria e percussão, são as baquetas Spanking, que variam apenas de modelo, de acordo com o trabalho e os amplificadores de fone PowerClick, modelo DB05.
Uso o SPD-S no setup de bateria também, um headset Shure wireless LX-4 e o LapTop, quando o trabalho solicita algo gravado.
Acho que é só... (risos)

SM: 
E por falar em set monstro... (risos) Com certeza me assustei rapaz!
Diga-nos um pouco sobre as bandas que você trabalha hoje.

JM:
Como comentei, tenho trabalhado muito no circuito sertanejo do Rio, o que, surpreendentemente, me fez voltar à percussão nos palcos. Fiquei anos atuando apenas como baterista e, quando pintou o convite através do gigante baterista Magno Cortes, achei que seria interessante matar a saudade.
Toquei por quase um ano com a dupla Junior e Luciano, os caras mais “roots” do sertanejo! Me diverti muito e espero, sempre que puder, fazer mais shows com eles.
Toco com Fabiano e Bonnato, onde me sinto muito à vontade e em casa. Afinal, é a única gig que fiz parte que tem três bateristas, eu, na percussão, o baterista oficial Sérginho Sanchez e o próprio Fabiano, baterista do Calderão do Huck, entre outros trabalhos!
Acompanhei, recentemente, em alguns shows o cantor Kadu Quintanilha. Gravei, co-produzi e dirigi o cantor Juninho Peralva.
Saindo do sertanejo, faço a direção musical e toco bateria com a cantora Raquel Keller, que está gravando seu 2° trabalho, este pela Coqueiro Verde. Integro a banda Calçadão Carioca, que toca música pra dançar, com a cara do Rio. Faço parte da Kol Lev Band, banda que canta tradicionais rezas judaicas, em hebraico, em arranjos modernos.
Acabei de aceitar o convite, do cantor e guitarrista Robson Farah, de fazer a direção técnica da turnê do seu 2° disco, “Andar nas Nuvens”, que foi gravado e co-produzido, em parte, no meu estúdio e comandar as baquetas.
Por último, mas não menos importante, minha banda, a 6dB, se mantém viva! Por conta dos compromissos pessoais da galera, está cada vez mais difícil tocar, então, abraçamos o trabalho autoral e começamos a gravar nosso material.


SM: 
Ufa! Muita gente... e todos maravilhosos. 
Na sua opinião, qual alternativas as gravadoras e os artistas podem adotar para a comercialização de suas músicas, tendo em vista a facilidade que há hoje com a propagação do "MP3 grátis" na internet?

JM:
Putz, pergunta difícil...
Eu não acredito na longevidade da mídia física, CD, DVD... ao mesmo tempo em que vemos surgir novos formatos como o Blueray. Acho que o formato digital vai ser cada vez mais consumido, mas no Brasil, falta uma política de conscientização, de cultura mesmo. Lá fora é super comum comprar MP3. Comum e barato! Algumas bandas estão se destacando, justamente, pela quantidade de arquivos vendidos, como o sucesso da Train, que já é veterana, mas só com o MP3 está no topo.
Não têm como conter o download gratuito, os shared... Temos que mostrar pro público que é honesto, barato e prático comprar música digital. Seja MP3, trilha de videogames, ringtones, o artista tem o direito de receber pelo seu trabalho.
Sei que todo mundo sabe disso tudo que falei e que uma “solução” é muito complicada, mas temos que acreditar, hehe... o que não dá é parar de fazer música!

SM: 
Apoiado companheiro, também sou da opinião de que a música deve vir acima de comercialização e vendagem.
E para finalizar... No futuro o que podemos aguardar do Junior Moraes?

JM:

Pretendo aprender mandarin, fazer um passeio na Lua e, se der tempo, dominar o mundo!
Brincadeira...
Estou muito animado com o lançamento do meu cajon! Vou me dedicar bastante na divulgação dele, com workshops em lojas, escolas... Quero fazer dele um produto conhecido e apreciado! Torço muito pela aceitação dos bateristas e percussionistas.
Cada vez mais, meu estúdio, meu e de meu brother, baixista e produtor Alessandro Matias, se firma como uma boa opção na região. A agenda do “Quarto dos Meninos!” está bonita, com novas bandas pintando, tanto pra ensaiar, quanto pra gravar e quero estar, mais e mais, dentro desse crescimento.
A agenda do Fabiano e Bonnato está bem bacana, com uma média de 14 shows por mês.
No dia 4 de setembro, fiz a abertura do workshop do Claúdio Infante, na Lapa, na Escola de Bateristas do Jorge Casagrande e em Outubro, ainda não sei a data, farei o meu workshop no mesmo local.
Vou começar os ensaios com o Jota Maranhão, autor de grandes sucessos da MPB, pra gravação de seu DVD em Dezembro e, também a convite do Jota, vou gravar algumas faixas do CD da Graci Félix, que ele está produzindo.
Ah! Quero muito finalizar o EP da 6dB!
No mais, saúde e paz...




Contatos:
Tels.:21 7814-9806
E-mail: junior.moraes@terra.com.br 


Entrevista:Leandro Borges
Fotos: Arquivos de Junior Moraes


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Sidinho Leal

O convidade de hoje é o produtor e tecladista SIDINHO LEAL.

SOMUSICA:
Como já é clichê do SOMUSICA... conta um pouquinho pra gente do começo da sua carreira, e dos seus primeiros contatos com o mundo da música.

SIDINHO LEAL:
Então, eu comecei minha carreira aos 16 anos tocando em grupo de jovens em uma igreja de minha pequena cidade, Sabará, nessa época, ainda tocava somente violão e guitarra. Aos quase  18 anos comecei a tocar violão em um grupo de samba bem tradicional em Minas, "Kisamba show".
3 anos depois, já aos 21, entrei em um grupo de pagode recem lançado, "Só Balanço", neste trabalho eu ja me iniciava as teclas, daí, desde entao, abandonei as cordas para me dedicar as teclas, entao comecei a me interessar bastante em tecnologia da música, coisas do tipo, gravação, softwares, programações etc. Entao me vi na necessidade de pegar um trabalho que exigisse mais do instrumento, entao migrei para uma banda de baile em 2003 , na "Expresso e Companhia", procurando novos horizontes, novos projetos, parti desta banda para a minha atual "Banda Brilhantina", onde sou diretor musical e sou responsável por gravações, produções autorais, e tudo relacionado a tecnologia musicais. Comecei aos 16 e com 3.2 tenho ainda muita estrada pela frente. (Risos) Fica a meu cargo.
SM:
Rapaz com a excelente qualidade dos seus trabalhos, põe estrada nisso...
E quanto as suas influências... Fale um pouco pra gente sobre seus ídolos.

SL:
Tipo, gosto de muita coisa, mas de uns 5 anos pra ca, tenho escutado muito jazz e música cubana. De artistas brasileiros que tenho mais admiração cito, Nosso Trio, João Bosco, Pedro Camargo Mariano, Ivan Lins, Hermeto, Pixinguinha, Djavan etc. São tantos... Em relação ao jazz, gosto pacas de Chick Corea, Dave Weckl, Horacio Ernandes, Frank Gambale, Erick Jhonson, e hoje o maior compositor, pianista, e virtuosismo MICHEL CAMILO, eu adoro o trabalho dele, nao desmerecendo os ourtos mas é no que mais me identifico e me inspiro, o Camilo é demais. Mas também ,desde muito tempo , adoro o Michael Jackon, o maior e melhor produtor, cantor, dançarino que nos ja vimos. São todos inpiração pros meus trabalhos.

SM:
Galera da pesada que você citou rapaz, e partilhamos a mesma opinião sobre o Michael.
Qual a sua opinião a respeito da prática do endorse para o músico profissional?
(Para os que não sabem, endorse é algo como patrocínio).

SL:
Cara, isso acho bem interessante, se a Yamaha e a Roland quiserem me endossar eu adoraria,  (risos), gasto muito com equipamentos e mais 1 pra galeria seria ótimo, isso é legal pois a gente divulga os equipamentos e nós temos acesso a tecnologia de ponta e lançamentos, pena que ainda nao fui endorse  de nenhuma marca. (Risos). 

SM:
Qualquer tipo de ajuda aos músicos é bem vinda, eu também estou na fila da Yamaha e da Korg. (Risos) 
À proposito, qual set-up você está usando?

SL:
Yamaha Motif xS7, Roland Juno-G os dois expandidos com samples, 
Stay Ibox em duplo X preta, Suporte Stay Aluminio,
No-breack APC UPS 600, Mic Shure Auricular PG30, Mesa Yamaha MD4 pra mixar os teclados e fone AKG P414. uso isso na banda brilhantina, mas tenho outras paradas que uso em frees, mas este set e o que mais gosto, parei de usar Vsti pois tava ficando pesado demais, (risos) muita coisa pra carregar, so uso agora em produçoes caseiras.

SM:
Tô pra ver teclado melhor que o XS. (Risos)
Com o caos que se tornou o mercado fonográfico, em relação a vendagem de CDs, qual alternativa você usa hoje para comercializar suas músicas?

SL:
Cara, nós da banda Brilhantina ainda não estamos com CD próprio, mas estamos preparando um CD autoral, pra meados de 2011, como somos "banda de baile" (Para os que não sabem, bandas de bailes geralmente são bandas bem estruturadas, com aquipamentos de som e luz de primeira, que seguem por aí a fora fazendo shows que duram de 4 a 5 horas, tocando todos os rítmos) , estamos definindo uma identidade, tocamos legal, sertanejo, axé, e músicas tipo "calcinha preta", além de música eletrônica mesclado ao som acústico, eu adaptei isso no show. Sabemos que depois que inventaram o MP3 e a internet isso se tornou inevitável, hoje música cai na rede até sem masterizar, (risos) dureza,  mas no caso da nossa banda, todos CDs e DVDs que já fizemos até hoje, colocamos os direitos de autor e compositor nos encartes, além de deixar bem destacado, "CD PROMOCIONAL", saca? Pois nao vendemos nada, só pra divulgar mesmo o trampo, sei que um dia, se Deus quiser, posso estar do outro lado, dependendo da venda né, então nao custa nada ajudar a eliminar a pirataria. 

SM:
Excelente visão meu amigo, são poucos os que pensam desta maneira.
E como ja é clichê por aqui também... Fala pra gente sobre os planos pro futuro, além do CD da Brilhantina em 2011.

SL:
Entao, estamos preparando um cd autoral, saca? Vamos lançar em meados do ano que vem, ainda estamos na captura de músicas, mas a lista ja está grande, (risos) pros meus planos futuros , eu quero fazer um curso de áudio, pra investir mais na onda de produções e gravações, área onde estou atuando também hoje.
Mas quero deixar as coisas fluirem naturalmente, nao vou forçar a barra pra nada, vamos tocando o barco, pois esta estrada é longa.....
  
SM:
O SOMUSICA  deseja a você tudo de bom por essa longa estrada Sidinho, obrigado pela simpatia e paciência com a gente rapaz.
Muita satisfação e honra de ter entrevistado você, muito obrigado pela participação, e muito mais sucesso ainda na sua brilhante carreira.
O SOMUSICA fica a sua disposição para tudo que precisar, afinal este é o intuito do blog, ajudar sempre o músico brasileiro, muito obrigado mais uma vez amigo! 
Contatos:
Tel.:
(31) 96690082
Twitter:
E-mail:
sidinholeal@hotmail.com
Comunidade no orkut:
http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=92208096

Entrevista: Leandro Borges.
Fotos: Arquivos de Sidinho Leal.

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Iuri Salvador

O convidado de Hoje é o fotógrafo e desenhista IURI SALVADOR.

SOMUSICA:
Diz pra gente como e quando você descobriu o seu dom para a fotografia?

IURI SALVADOR:
Bem... esse meu dom apareceu como um peido, de forma espontânea. Eu sempre desenhei muito, na verdade sou mais desenhista que fotógrafo, e num dia, depois de visitar um amigo meu que é fotógrafo, o Cláudio, resolvi comprar uma câmera. Vi o preço, tive um leve ataque cardíaco, uma decepção aterradora se abateu sobre meu ser e vi todas as minhas esperanças se esvairem, porque eu não ganhava grana suficiente pra comprar a câmera e NUNCA havia juntado dinheiro pra nada. Logo, comecei a pensar nas alternativas: assalto não era muito viável, não tenho um porte muito bom pra correr, mendigar era improvável, sou muito limpo, esse lance de ficar sujaço não ia rolar e esperar cair o dinheiro do céu não adiantou, desenvolvi uma torcicolo de tanto olhar pra cima... e olha que foram só quatro dias!. Logo, juntei a grana.
Comecei a fotografar TUDO! TUDO MESMO! E o desenho me ajudou bastante com ângulos e tal... Isso tudo aconteceu em mais ou menos 8 meses atrás!

SM:
(Risadas) "...capitalismo selvagem ôhh ôhh ôhh..."
E como surgiu essa ideia de fotografar eventos musicais?

IS:
Eu sou um cara inquieto. As vezes, quando estou sozinho, tenho acirradas e acaloradas discussões comigo mesmo. A pancadaria só não rola porque eu intervenho e dou uns esporros violentíssimos em mim, aqueles esporros que eu nunca ia querer levar.
Logo, isso comprova que sou, além de hiperativo e sexy, sou muito ligado a movimento. Gosto de fotos no geral, gosto que posem pra mim, mas a espontâniedade, o momento derradeiro, aquele que só acontece, sem ensaio, sem prévia, sempre me chamou muito atenção. Então não foi uma escolha fotografar shows, mas não imagino jeito melhor de começarmos.
Eu comecei nesse lance com o Magno, meu "fado madrinho", chama-lo de "fada madrinha" vai irrita-lo e, acredite, você não vai gostar do Magno irritado, que me convidou pra que eu fosse fazer umas fotos de uma dupla sertaneja, Júnior & Luciano. Daí pra frente, a empatia foi total e as portas e janelas, portões, portinholas e porteiras foram se abrindo, uma a uma. O curioso nisso tudo é que sou um cara essencialmente rock n' roll, logo seria a última pessoa nesse universo, acredito piamente na existência de outros universos, mas isso é outro assunto, que estaria trabalhando nesse ramo de sertanejo se não fosse o apoio dele. E hoje faço amarradíssimo, gosto a beça. Devo tudo, inclusive R$50,00, ao Magno.

SM:
As asinhas de fado(a) do Magno tem que ser tamanho GGGGG... neh? (risadas, brincadeira Magno).
Como é ter contato com essa infinidade de músicos e públicos? Deve ser uma zoação só...

IS:
É curiosíssimo. De repente eu adquiri uma infinidade de novas palavras e gírias, comecei a entender, ou pelo menos faço uma cara de "compreendo"... muito boa quando, na verdade, não compreendo lhufas de instrumentos, saber nome de músicos que sempre passaram batidos.
Sou um cara essencialmente rock n roll e, nessa posição, minha visão sempre foi coletiva. Ou seja, eu adoro Deftones como banda, mas nunca prestei atenção ao timbre do baixo de Chi Cheng. Me tornei musicalmente mais nerd.
Como baixista, eu sai das influências musicais coletivas e comecei a ter minhas influências pessoais, lances como "Gosto do baixista da banda tal, daquela outra..."
Já quanto ao público eu conto nos dedos o número de pessoas que eu realmente falo, que realmente tenho um laço de amizade ou mesmo de colegagem. Sou educado com todos, mas meu trampo na noite acaba sendo um lance mais de "passagem", tipo "faço uma foto, mostro, é aprovado, passo pra outra."
Quanto a zoação... isso é inevitável. Eu tenho uma resposta pra tudo, não consigo ficar quieto...

SM:
Você é um cara bem versatil e com uma inteligência fora do comum, já conversei diversas vezes com você, inclusive sobre música, e você entendeu direitinho (ou fez direitinho cara de que entendeu). (risos)
Mas conta pra gente algum fato inusitado ocorrido em algum evento.

IS:
Cara, minha vida toda é um fato inusitado. Eu sou O fato inusitado. Tenho cisma com o número 9, ninguém encosta no meu pescoço, me tatuo toda segunda-feira... duvido alguém ser mais pouco ortodoxo do que eu. Mas ultimamente tem acontecido um lance bem engraçado...
Teve uma quinta-feira que eu estava fotografando Júnior & Luciano. No momento que eles começaram a tocar "Choram as Rosas", de Bruno Ramone (risos), eu fiquei ao lado do palco fazendo uma mímica da música, ou pantomima, que é o nome certo, e o Luciano não conseguiu parar de rir. 
Na semana seguinte o Júnior sofreu um acidente e foi um baque... a gente ficou abalado, foi aquela correria... mas vida que segue. Os shows naquela semana foram f****, todo mundo sofreu o baque. Apesar do Júnior estar bem, ele não estava ali do nosso lado e o Luciano segurou a onda sozinho... na quarta fizemos Rancho do Tomate, meio deprê e tal... e na quinta teve o Luau, evento que eles são residentes. Pra completar tava chovendo fininho, uma friaca sem tamanho e o pessoal tava meio pra baixo ainda, público preocupado... uma barra!
Quando eles começaram a tocar "Choram as Rosas", não pensei duas vezes! Larguei a máquina, subi no palco, todo mundo me olhou meio torto e tal e assim que o primeiro verso aconteceu, eu comecei a fazer a mesma mímica, mas pra todo mundo ver. Foi um sucessaço!!! Aliviou o clima e tal... muito legal mesmo...
Desde então todo show deles eu tô fazendo isso... e a gente vai começar a expandir esse lance, criando votações pra músicas novas... tô pensando até em abrir graduação de mímico, a ser aplicada na FODERJ (Faculdades Odair Drauzio Ernesto Júnior) com aulas começando com o "Abecedário da Xuxa" e terminando em canções mais difíceis, como "Faroeste Cabloco" da Legião Urbana, "Construção" de Chico Buarque ou "Todas Elas Juntas Num Só Ser" do Lenine...
O estágio será aplicado com pantomimas de músicas de Charles & Juliano, Júnior & Luciano, Batman & Robin e, lógico, Bill e os Sortudos, minha banda! (risos)
SM:
Devo acrescentar isso à sua apresentação? Até agora está assim: "O convidado de hoje é o fotógrafo, desnhista, humorista e PANTOMÍMICO Iuri Salvador." (risos).
Apesar de ter trabalhado nos dois shows que você citou não tive a oportunidade de vê-lo em ação como pantomímico, mas ouvi muitos comentários sobre. (risos).
E quanto ao acidente do Junior, cheguei a publicar aqui no blog uma nota falando a respeito, e graças a Deus ele está se recuperando muito bem, soube que já até foi no show...
Mas para finalizarmos, sempre faço essa pergunta, o que podemos esperar do Iuri Salvador para o futuro? Além, é claro, de criar a FODERJ?

IS:
Fotógrafo, desenhista, humorista, músico, sou baixista, sabia?!, físico nuclear, professor de Novalgina (?), formado em astrologia mecânica, ciências ocultas, letras apagadas, agente secreto e pantomímico! rs
Cara, esse ano tá sendo muito legal... atípico, saca?! Tô trabalhando no que gosto, conhecendo muita gente, contatos de trabalho... tomara que o ano e o futuro, se desenrole assim, porque eu aposto que o J. R. Duran começou assim, e hoje o cara é o maior fotógrafo do mundo. Pretendo também me dedicar mais a meu projeto musical, o Bill e os Sortudos... pô, temos 6 anos de banda e a gente só toca pra gente mesmo!!! E se fosse uma banda ruim, tudo bem... mas modéstias a parte, nosso som é bom a beça, e o baixista é um gato! 
Falando sério... quero que esse monte de trabalho continue rolando dessa forma ou até de forma mais arrebatadora... tô muito feliz com esse meu momento... música, desenho, fotografia... tá tudo conspirando e acontecendo. Quero montar um show de stand-up comedy também... enfim, sou uma cabeça que não para de pensar um minuto sequer!
Além, é lógico, de me tornar reitor interino da FODERJ!
E é isso.
Valeu pela entrevista assaz aprazível!
E pra terminar...
Um emoticon!
":D", o curso de emoticon será opcional na FODERJ.
Ah! Vale ressaltar que pro futuro podemos esperar carros que voem, colônias em Marte, a rebelião das máquinas, o advento da internet, a criação de um novo sistema de governo que dê as nações o que elas realmente precisam, viagens espaciais a civis e a Coca-Cola Zero com gosto de Coca-Cola normal!

SM:
(Risadas) Você é baixista?!? Dessa eu não sabia, achei que tivesse zoando... (risos)
Então fica aqui o convite a repetirmos a dose assim que a "Bill e os sortudos" iniciar sua tour.
Rapaz gostaria de te agradecer, você é um profissional com talento, destreza e tato pra fazer tudo, fotografia, desenho, humor e o que mais te der na telha... Muito obrigado mesmo!

IS:
Sou baixista mesmo! Tenho um Fender xadrez que é lindo... pena que não sei tocar direito... (risos).
Cara, valeuzaço a oportunidade... me senti importante como a muito tempo não sentia... pra ser exato não me sentia importante assim desde as 09:05 da manhã do dia de hoje (08/06/10), quando minha mãe me chamou de "tesouro", o que me fez, além de me sentir importante, rico!
Você é um cara talentoso a beça e, assim como todos nós, tá na ralação... logo, nossa recompensa está guardada... a gente só precisa ir atrás dela!!!
Abração, meu caro!!!
Ah!!! Esqueci de dizer... também tô trabalhando num filme... curta metragem... feito de stop-motion... um dos meus grandes sonhos!

SM:
Rapaz uma entrevista só com você não é o suficiente, temos que marcar outras pra falarmos desses outros projetos...
Agradeço novamente a você Iuri, muito abrigado!!!

Contatos:
Tels.:27130083
        87694154
 E-mail.: iurisalvadordesenho@yahoo.com.br

Entrevista: Lenadro Borges.
Fotos: Iuri Salvador.

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Uilliam Pimenta

O convidado de hoje é o tecladista UILIAM PIMENTA.

SOMUSICA:
conta pra gente como foi o começo de sua carreira, o que o motivou a aprender um instrumento, e como foi seu primeiro contato com o teclado.

UILIAM PIMENTA:
Então, quando eu ainda era criança, vivia infernizando nos ensaios do meu pai. Ele era guitarrista, mas  o que me chamava atenção mesmo era a bateria.
 Mas, um dia sai na frente da minha casa e vi uma vizinha com um tecladinho de brinquedo, e logo fui incomodar o meu pai pra ter um daqueles. Depois de um tempo, finalmente ganhei um daqueles de dia das crianças, e bem nesse ano meu pai estava deixando a música pra fazer um curso em São Paulo. Nesse periodo, eu tinha 6 anos, e acabei tirando o "hino da vitória" no tecladinho de brinquedo, e outras musiquinhas de ouvido. Quando o pai volto, ficou impressionado com aquilo, e me deu o meu primeiro "Casio Tone Bank". (risos) E apartir dai, tudo começou!

SM:
Tecladistas iniciantes e Tone Banks combinam mesmo, experiência própria.
Essa camisa jé era a do Inter? 

UP:
Sim velho, colorado desde pequeno! (risos)
 
SM:
Você tem uma veia de jazz muito latente, isso já vem dessa época? O que mais você ouvia e ouve até Hoje?

UP:
No inicio não tinha muito acesso, sem internet e morando em Jaguarão, nem sabia o que era Jazz. Aos poucos fui descobrindo Djavan, Tom Jobim, Elis Regina, Ivan Lins, João Bosco e etc.. e fui me tornando fã da nossa música brasileira. E  o encanto pelo jazz logo veio quando descobri que existia Chick Corea, Davi Grusin, Miles Davis e etc...  Sempre fui um fã da música pop de bom gosto, e sou fã de uma banda chamada "Toto", que no meu ponto de vista, consegue fazer uma mistura de pop, rock, funk e jazz.  Enfim, hoje em dia eu ouço um mistão de tudo isso, e mais um pouco. Procuro ouvir de tudo e absorver o que tem de bom em cada estilo, sem nenhum tipo de preconceito.
 
SM:
Toto é realmente excelente!
Sua "mochila" é pesada heim... Diz pra gente alguns artistas com quem você já trabalhou.

UP:
Bom, ja tive a oportunidade de trabalhar em várias bandas e artistas, de todos os estilos possíveis, entre eles : Marco Brito (Ivan Lins), Luiz Meira, Luiz Melodia, Marina Elali, Nicole Obele (cantora camaronesa) entre outros!

SM:
Sem comentários...
E hoje, o que você anda fazendo? com quem você ta tocando?

UP:
Hoje toco fixo com 3 projetos:

Um deles é meu quarteto de música instrumental "Coringas.com", que tem um DVD gravado ao vivo em studio em 2008, e está em processo de gravação de um novo disco.  Assim que esse  novo disco estiver pronto, vamos lançar o DVD de 2008 e esse novo disco juntos. (MySpace)


Também toco em um projeto pop chamado "Merlot", no qual gravamos recentemente uma demo intitulada "Música Para Degustação", com 6 faixas, sendo 1 delas própria. Esse projeto tem uma característica interessante, que os 4 integrantes cantam e fazem backing.


Além desses, também toco na "Zawajus",  considerada a maior banda de baile de SC, que costuma fazer shows pelo Brasil em diversas convenções de empresas, e aberturas de shows nacionais.



Fora esses que são fixos, faço alguns outros projetos paralelos, com Luiz Meira, Luana Laus (tributo a Elis Regina), Thiago Pity entre outros free lances, além de gravações.

SM:
Trabalhos muito bons, ouço todos e curto todos, destaque para o "Merlot", onde você canta, realmente muito bom.
Agora vamos a parte que eu mais gosto... O seu set-up, fale pra gente um pouco sobre ele.

UP:
Atualmente ando com um set bem reduzido, ao vivo tenho usado só o Yamaha Motif XS 6, Yamaha KX-5,
controlador MIDI antigão, muito usado pelo Chick Corea e raramente um notebook com uma placa m-audio Fast Track Pro, dependendo do show. Suporte, eu sou amante do velho e bom X, mas quando toco em pé acabo usando uma Stay Aluminium. (risos). Também tenho um ampli. Peavey KB4, mas é uma coisa bem rara de eu usar.

SM:
Além do lançamento do DVD e do CD do Coringas.com, o que mais podemos aguardar para o futuro? Quem sabe uns shows aqui no Rio de Janeiro?
UP:
Então, além do lançamento do DVD  antigo e o cd novo do Coringas.com, pretendemos no fim do ano gravar um DVD com músicas próprias do Merlot.  Por enquanto não tem nada encaminhado, mas seria um prazer voltar a fazer um show no Rio, quem sabe não surge alguma coisa! (risos)

SM:
Fica aqui uma "cutucadinha" nos empresários do ramo... (risos)
Pimenta, prazer imenso ter você aqui! Muitíssimo obrigado pela sua paciência e simpatia rapaz! Fico muito feliz de estar entrevistando um músico do seu gabarito! Muito mais sucesso ainda nessa sua brilhante carreira!

UP:
Imagina, pra mim é que é um prazer enorme, e uma honra estar participando desse blog que dá essa força para os músicos brasileiros. Meus parabéns por essa iniciativa, e muito obrigado mesmo.

Entrevista: Leandro Borges
Fotos: Arquivos de Uiliam Pimenta

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